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Ler poemas é falar à própria alma sobre sentimentos que não tem nome

Identidade 

Minha escrita passeia entre vários movimentos artístico: do romantismo tira o idealismo e a expressão subjetiva das emoções; do simbolismo o contato com algo maior; do surrealismo a dimensão onírica da abstração da realidade; do modernismo a livre adequação da forma...

​

Em algumas definições, minha escrita é particularmente de tom onírico contemplativo, de melancolia luminosa, de misticismo corpóreo e de pureza pueril.

Poemas em Destaque

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Quasar APM 08279+5255

toda vez que te apareceres a mim

a ti, Tritão, me aparecerei em verso

 

não acredito em amor à primeira vista

nem mesmo em amor à segunda visita

acredito em amor sem sequer ter visto

 

verbalizar o meu sentimento

é falar a um cego de nascença

de que cor é a cor dos teus olhos

— que não vi

 

e quando estava a pensar em ti

de que luz é a luz dos meus olhos

— que não viste

 

sim

o que meus olhos não veem

o meu coração inventa

porém não precisei te inventar

teu doce lábio avermelhado

teus olhos que se fecham ao sorrir

teu nobre entusiasmo que imita o verão

não precisam do acréscimo da imaginação

 

tu és tu, e mesmo que do meu eu sozinho

isso é suficiente a mim e aos cavalos-marinhos

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Tépala

Homem lunar

na cava d’água

luzia halo solar

em arte etérea

de luz cinérea

e se inclinava

ao principiar

primaveril.

 

Amarelo-branco

se trasladava

num pulcro canto.

Soava suave,

sussurrante,

incauto,

no entanto

pungente

de pesar pueril.

 

Curvo

era raro.

 

Turva

era a água.

 

Co'a face

bradando,

bramindo

me chorava:

“Acesso meu,

beija-me!

Acessa-me...

beija-me!

Cessa-me...

beija-me...”

 

Nosso lago

se atordoava

de oceano

pelo orvalho

deste olhar

tão cotidiano,

que transbordou

no instante

em que um

pérfido poeta

às Deusas aferia

em um papiro

que ele era:

Anafrodito;

presumido a flor;

vaidoso, altivo;

que me matara:

Narciso.

 

“Beija-me

antes que

o levante

das gentes

das ninfas

me levante

onde não habitas...

Não ouves

minhas súplicas?

por ti, Beócia

incendiaria!

Vingança,

de volta,

o traria?...

À sombra da

romã singela

amei-te,

entretanto ecoaram

nosso santo canto...

A desgraçada espada

não te enviei,

cujo estiar

consagrara

meu pesadelo.

Amei-te todo,

em graça,

amei-te tanto,

com tal zelo,

que não te furtei

sequer um beijo...

Harto te oferto

o meu eternal afeto!

Tira-me a anedonia,

venhas, canta-me,

por nós, Amínias,

com tua (e)terna voz.”

 

O poeta sabia

que a fraqueza

dos Deuses 

é a poesia.

Portanto,

por vós,

ó céus

sem norte,

meu amado

jaz amaldiçoado

a não crer na morte!

 

Sem que haja o eco do canto de outra,

que ao menos em me ouvir tenhas sorte!

 

“Pétala,” — Sépala,

“Amínias meu!” — Narciso meu!

“Cantarei mar:” — Cantarei alunar:

“Teus são meus olhos!” — Teus são meus poros!

“Meus poros são teus!” — Meus olhos são teus!

“Teu ondulado cabelo.” — Teu cabelo nevoado.       

“Tua pele enoitecida.” — Tua amanhecida pele.  

“Teus dedos delicados.” — Teus esculpidos dedos.

“Todo sou teu!” — Teu sou todo!

“Amínias meu!” — Narciso meu!

 

“Cantarei mar:

Sei que és o ser mais lindo

que não beijei e vi,

procuro-te em mim,

amor uterino,

sufoco-me de ti.

No lago te beijo, já que tão somente a ti, vejo.”

 

Cantarei alunar:

Dulcíssimo amado, doutro lado,

ao achares meu lábio — entre!

Eu em dor insondável

e em afeto indecifrável,

— indubitavelmente consciente —

o declamo em sutil brado:

Eu o amarei... até um dia depois do para-sempre!

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Sentimento Índigo

mesmo se os Deuses me dessem asas      

poder estar cativo de teu abraço

me tornaria além do livre

 

mesmo se me dessem tele transporte

eu iria a lugares mais interessantes

tocando as curvas puras de teu corpo

 

mesmo se me dessem a imortalidade

eu apenas acreditaria no para-sempre

colocando uma aliança no teu dedo

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Doador

terei o mar a meu favor

quando o marulho sussurrar seu nome

quando seu sorriso acender sobre meu rosto espelhado

quando as penas azuis em seus longos cabelos

cintilarem ao feixe de sua nua lua

 

sim, a sua existência me cura do tédio de estar sóbrio

por isso você permanece de um jeito tão índigo

 

raramente choro por grandes razões

mas derramo por detalhe ínfimos

como a de seus olhos

que se fecham

quando você sorri

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Haicais

eu não sei se teu

eu serei, porém sereia

tu minha seria?

por entre nós dois

resta um ano de oceano

mas entre dois nós

rocha nadadeira

canta solitário canto

traja cachoeira

porém entre estrelas

severas; etéreo eu era

raro vagalume

o azul dos oceanos

invejou a cor

dos seus castanhos

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